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sábado, 12 de março de 2016

Semana da Leitura: Elos de Leitura/Elos de Amizade

Este ano, a Semana da Leitura teve início um pouco mais cedo. No dia 10 de março recebemos, pela 4ª vez, o escritor-amigo, Pedro Guilherme Moreira. São os nossos Elos de Amizade que nos trazem, todos os anos, o autor das obras "A manhã do mundo e "Livro sem ninguém". Este ano, a responsabilidade da apresentação do escritor foi da responsabilidade da Inês Guerra, da Inês Forte e do André, do 10ºLH4, que muito bem estabeleceram a relação do livro "A manhã do mundo" com o fatídico 11 de setembro. Foram Elos de Leitura, de Amizade, mas também de Solidariedade com todos aqueles que, todos os dias, são vítimas de atitudes incompreensíveis.
Não deixem de consultar o blogue "Ignorância" e ler o texto do escritor sobre este encontro. http://ignorancia.blogspot.pt/2016/03/xico-2106-ano-4.htm
Deixo-vos com a transcrição do texto constante no blogue, que não devem deixar de consultar.

Xico 2016, Ano 4

Senti-te a falta, Maria. Bé para os colegas. A Maria foi a alma dos meus anos todos, e não consigo partir para mais um relato da substância sem me penitenciar. Não me importei como reclamo para mim e para os outros, falhei, na voragem dos dias intensos, um olhar mais dedicado à minha amiga Maria, uma grande professora de português e uma grande mãe. As professoras Rosário e Manela dão o litro, mas a Maria sempre foi a minha alma na Xico. Por isso te senti a falta, mas este, deixa-me que te diga, Maria, foi dos nossos melhores anos. Na Xico 2017 - ano 5, quero-te a ti à Clara, por favor. Neste novo formato, em que vou acompanhado de delegados da editora, graças a um departamento, o dos "Encontros de Autor", que está a funcionar afinadinho, é mais fácil gerir a ressaca de afectos. Não ir sozinho e não vir sozinho permite uma percepção mais clara das falhas e dos acertos. A Liliana foi a delegada para a Xico. Um tripeiro reconhece outro tripeiro, e a Liliana podia estar calada o tempo todo e eu saberia que ela era uma tripeira. Mas a Liliana é muito mais do que isso. Boa ouvinte, atenta, com um juízo crítico lúcido, profundamente bonita do que na beleza não é visível - mas também do que é -, uma verdadeira companheira de aventura. E as escolas são verdadeiras aventuras. Este ano a professora Rosário estava doentinha e a Manela-bibliotecária tem só dois braços, pelo que a coisa correu mais entre mim e os alunos, mais precisamente as Ineses com nomes bélicos, Guerra e Forte, e a Jéssica com nome de guerreira, Valente, no antes, e, entre muitos que ficaram mais escondidos na sombra ou na luz dos próprios sorrisos (eu vi-vos, acreditem que vos vi, mas não tenho o direito de vos expor; os vossos olhos eram tão vorazes quanto doces, olhavam para mim como se olha para os actores no teatro, com alimento, e eu agradeço-vos isso), a Rita Antunes, o Miguel, o André, a Fabiana, a Francine, a Carolina (sim, tu, que estavas mesmo em frente a mim) e a Ana Luísa. 

 Depois, no caderno, a assinar dedicatórias que até comoveriam um menir, e assinando quase em coro com o tag #somosTodosPedro (os tags, todos juntos, ali, no caderno, eram poderosos e comoveram-me a sério), Rita Ribeiro ("a tua poesia vale mil sorrisos"), a Glória Fernandes ("ainda há escritores que têm o dom de fazer as palavras valer"), Filipa-Carolina-Ana-Sara-Maria (a visão colectiva da literatura), todo o 11º LH1 (o futuro nas nossas mãos), Márcia-Jéssica-Mónica ("provocas-nos um sorriso verdadeiro e lágrimas de felicidade"), todo o 10º LH4 ("muito obrigado por este grandioso momento"), o arrepio e a comoção da Lara Rodrigues (eu não vos disse que a literatura não era chata?) - que passou a ver a literatura como poderosa, Cátia-Teresa-Vera ("a tua presença é mesmo "awsome" - tão fixe, isto!),  Ângela e Bianca (repetentes em sessões, acham que valeu cada minuto), o longo (adoro quando escrevem muito, como eu) e bonito texto da Inês Martins ("sempre achei que a literatura era apenas algo que aprendíamos na escola e que durava tanto quantos os anos em que estudamos; (...) aprendi esse significado com o Pedro. Literatura é arte, é vida, é alma, é tudo. (...)"), a aluna que mais se emocionou durante toda a sessão e que, por isso, teve direito ao original, a Rita Antunes (não vou sequer transcrever as tuas palavras; eu estive atento; a tua emoção não foi banal, foi gratificante; é isso que procuro com a literatura, Rita. Se não há emoção, eu declaro derrota), a/o anónima/o que reflectiu sobre os filtros e as abertura do peito e da alma e que riscou o nome e deixou só 10LH4, a Débora, que me viu à transparência ("um homem grande com um coração grande; (...) continua a partilhar, muda vidas, uma palavra basta"), a Bárbara Inês ("obrigada pelas palavras, Pedro, obrigada por seres tão genuíno, tão real. E, acima de tudo, obrigada por te preocupares"), e as Ineses, que falam de que o dia as mudou - só pode ser a minha ambição máxima: que seja o dia e a vida. Respondo ao André, que escreveu "Porque é que divides o mundo em gerações? Somos todos seres humanos." - Eu sou o primeiro a dizer para todos me tratarem por tu e a ter amor por gente boa, tenha 10, 15 ou 80 anos, André. A boca da geração é para vos abanar. Ou melhor: para abanar os que estão mais adormecidos. Só isso. Se reparares, André, eu acosso-vos e mimo-vos a todo o tempo. Puxo e empurro. Abano.


Tive oportunidade de publicar esta foto logo a seguir à sessão. Uma referência breve à declaração de amor "És o Deus da literatura", anónima e sob o tag #PedroDeus: não tenho de explicar que me sinto pequenino perante uma frase divinizadora, que não é, obviamente, literal, mas uma espécie de abraço de sangue - a menina ou o menino que escreveram isto querem, apenas, dizer que entenderam nas suas profundezas o que aqui fui dizer e que, como a Liliana caracterizou, e bem, é uma espécie de missão. Nós queremos muitas vezes dizer isto aos nossos ídolos, não porque eles sejam os nossos verdadeiros deuses, mas porque nos flagraram a essência, porque nos vieram dizer ao espaço pequeno e quase insondável (e certamente inefável) que fica, mais do que dentro, por trás do coração e em lugar nenhum do mundo, mas em todos os lugares das pessoas (dentro ou fora do mundo, do passado ao futuro, do tempo todo) o que nós não conseguimos formar entre a língua, os dentes, a  garganta e o nariz, que é o lugar físico das palavras. Porque não há. Não há palavras para a nossa centralina. E então divinizamos. Quase por raiva, divinizamos. Eles, estes meninos e meninas maravilhosos, também são deuses para mim. A Cláudia Baptista perguntou-me de viva voz, no fim da sessão, se eu tenho na vida o drama que trato ficcionalmente. A minha resposta inteira foi longa. Mas comecei por lhe dizer que "sim, tenho perdido pessoas, mas há muitos mais novos do que eu que perderam mais". Mas a pergunta é tremenda. Demorou-lhe aquele tempo habitual para levantar a mão, mas a pergunta é tremenda, Cláudia. No fim, é sempre a mesma coisa: a ressaca de afectos. Mesmo com a Liliana a ajudar. Começo a medir as sessões pelos que ficam depois, vida fora, e vejo crescer. Alguns ficam meus amigos, amigos a valer. Faz este ano cinco anos que estou visível, publicamente, na literatura. A Xico teve a sua 4ª sessão em 104 visitas a escolas. Castelo de Paiva segue-se como a 105. Ovar como a 106, tudo numa semana, como é habitual antes das férias da Páscoa. Os que estiveram nas primeiras sessões estão agora a licenciar-se e, creiam-me, é maravilhoso acompanhar os que ficam por perto. Como eu dizia há uns anos, na Xico, custa-me ter de os deixar. Custa-me muito. Sempre. Mas é sempre uma experiência transcendente. Eu acho que é amor. Apenas isso. O tal sentimento que é sobre-humano.

PG-M 2016
Fotos propriedade da Escola Francisco de Holanda, Guimarães, Portugal



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quinta-feira, 19 de março de 2015

Semana da Leitura


E Não é que o P G-M voltou?

Perguntar-me-ão o motivo da admiração, uma vez que já não é novidade. O escritor Pedro Guilherme-Moreira, a 17 de março, terça-feira da Semana da Leitura, o famoso P G-M, que já é da casa, voltou a visitar-nos. Veio pela terceira vez falar com os nossos alunos. Porquê, então, a admiração? Porque foi avisado na semana anterior e, mesmo assim, veio. Por isso gostamos tanto dele. Vem sempre.
Apresentado, como também já é hábito, pela professora Rosário Ferreira, com um texto de fazer inveja a muito escrevinhador que por aí anda, esta falou-nos da obra de P G-M com a autoridade de quem sabe ler e não apenas soletrar palavras. A seguir, como é da praxe, falou o próprio, sempre com a boa disposição do costume, facto que não é de todo irrelevante, dado que consegue, quase instantaneamente, que a malta saia da modorra e daquela coisa de “que chatice, lá vamos nós ouvir mais um chato só porque a professora quer”. E, também para não variar, P G-M veio com uma surpresa para os alunos, sempre sobre livros, claro, mas sempre, e sobretudo, sobre eles e para eles. Desta vez não distribuiu prémios, travestiu-se de ilusionista e tirou da cartola o nome de alguns dos presentes. Sabedor das suas particularidades (mistério!), transformou-os em protótipos, ou seja, falou deles para falar dos muitos como eles. Porque, como ele próprio o disse, “somos todos iguais”, deixando propositadamente de lado o cliché “embora todos diferentes”. A rapaziada aderiu e divertiu-se. Mas mais importante do que isso, prestou atenção, proeza que sabemos não ser fácil. Tanto que não tenho qualquer dúvida de que na próxima avaliação realizada no âmbito da leitura contratual, muitos irão escolher uma obra de P G-M. Vão escolher porque vão querer ler. E fazê-los querer ler é tudo o que nós queremos, para que, como disse o nosso escritor, eles (e nós todos) não fiquemos “a olhar para os nossos telemóveis, submersos como peixes (…) a olhar para a nossa própria cabeça como se não existisse mais nada”. E até lhes fez um pedido, a propósito das vidas, das vidinhas, das deles e das nossas: “A vossa, entre quinze e vinte anos, vai agora acelerar e vão ser mais as perdas do que os ganhos de pessoas. Nos livros, vão por mim, vingam-se dessa perda e dessa aceleração. Será pedir muito, então, além de levarem um carimbo da manhã de hoje para a vossa vida, que me façam o que devem fazer a todos os escritores e todos os livros? Pegar em nós e ler-nos um parágrafo…”
Tudo isto e muito, muito mais, tinha o texto que P G-M nos ofereceu e que leu, e também como de costume, em modo TGV, não porque ele tivesse pressa (eu até suspeito que se pudesse, ele ficava lá com os miúdos o dia todo), mas porque é assim que ele lê, de forma frenética e convicta, como é tudo o que diz ou que escreve. Chegada a hora das perguntas, não se escusa a responder, ainda que a questão colocada seja estereotipada. Dá-lhe a volta porque, como também afirmou no seu texto “Todas as dúvidas são legítimas, absolutamente todas, e não há uma única mão que eu não possa agarrar”.
Haveria mais para dizer? Haver, havia, mas neste momento só me ocorre mais uma das tiradas do Pedro Guilherme-Moreira: “Há sempre um bom livro para despertar o mais lerdo e passivo dos leitores. Acreditem.”.

                                                         Conceição Pires, professora colaboradora da BE

 
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quinta-feira, 6 de março de 2014