sábado, 27 de janeiro de 2024

Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto

 Visita a tua biblioteca escolar, onde está patente esta exposição e onde poderás conhecer (ou rever) livros, filmes e fotos sobre o tema.


A professora Cristina Tomé, elemento da equipa da BE, organizou um conjunto de informações e atividades que poderão ser realizadas em sala de aula.




sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Maratona de Cartas

 As bibliotecas escolares do Agrupamento de Escolas Francisco de Holanda levaram a cabo mais uma Maratona de Cartas, ação que se desenvolve em parceria com a Amnistia Internacional (AI). Os nossos alunos, pertencentes ao Clube de Voluntariado, deslocaram-se às salas, nos dias 22 e 23 de janeiro, onde procuraram sensibilizar os colegas para a importância de agir, lembrando que cada pequeno gesto leva à mudança. Os nossos alunos do 1º ciclo, assim como os da EB2,3 Egas Moniz também discutiram o tema e redigiram apelos para dar conforto e reforçar a importância da liberdade de expressão. Tal como no ano letivo anterior, foram enviadas para a AI as mensagens redigidas pelos alunos do 1º ciclo. 






Visita ao Museu do Holocausto


Visita ao museu do Holocausto - Porto

No passado dia 26 de janeiro, realizou-se uma visita de estudo ao Porto, mais concretamente ao Museu do Holocausto, visto que no dia seguinte, dia 27 de janeiro, se celebra o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

A visita iniciou-se perto das 11h, numa sala onde a guia nos contextualizou sobre o Holocausto. Conseguimos perceber que a Segunda Guerra Mundial provocou um genocídio de 5 700 000 judeus, já que estes eram vistos como uma ameaça à “Super Raça” (a raça ariana). Os judeus do Ocidente eram bastante cultos e isso era uma ameaça tremenda àqueles que queriam impor os seus ideais. Estes frequentavam universidades, trabalhavam na banca e participavam nas forças armadas. As escolas religiosas judaicas chamadas de yeshiva eram frequentadas pelos mais jovens. Os judeus encontravam-se espalhados por todos os continentes e eram totalmente contra a raça ariana, sendo esta uma das razões para que ocorressem campanhas oficiais contra os judeus tais como: “Libertem-se do dinheiro judaico” “Alemães libertem-se do judeu”. O ódio aos judeus levou à própria invasão da União Soviética que os nacionais-socialistas consideravam de “base racial judaica” e “um antro de judeus”, apesar de as populações judaicas estarem submetidas a perseguições constantes por outros regimes totalitários e ateístas.

Foi possível compreender que não eram só os judeus que eram deportados para os campos de concentrção, pessoas com necessidades motoras ou psicológicas, homossexuais e negros também eram imediatamente deportados. Para além disso, mesmo aqueles que tivessem características da raça ariana (olhos claros e cabelos loiros) eram deportados para os campos, caso fossem judeus.

Um dos campos de concentração mais conhecidos é o de Auschwitz, na Polónia e foi na segunda sala que vimos uma projeção do campo, bem como o letreiro que se encontra à entrada que nos diz “O trabalho liberta”, como é possível observar na imagem abaixo.

                      Fonte: RTP, https://media.rtp.pt/antena3/ouvir/visita-guiada-ao-museu-do-holocausto-no-porto/

 

Foi também nesta sala que percebemos que este campo de concentração é do tamanho de 140 campos de futebol juntos. Foram, então, estabelecidos três campos de concentração: Auschwitz I, onde se encontra a placa presente na imagem e era um campo de trabalho; Auschwitz II (também conhecido por Auschwitz-Birkenau) campo de extermínio; Auschwitz III (também conhecido por Auschwitz-Monowitz), também campo de trabalho.

De seguida, passamos por um corredor com a representação das camas presentes nos dormitórios dos campos bem como algumas imagens da época.


Fontes: Museu do Holocausto, https://www.mhporto.com/pt/visits

E, após observarmos estas imagens e as camas, entrámos numa sala que homenageia as vítimas do Holocausto onde o diretor do museu, Michael Rothwell, fez um pequeno discurso, com todos os alunos à sua volta. Este contou-nos um pouco sobre a história da sua família, conseguindo comover os presentes, ao afirmar que os seus avós maternos estiveram em Auschwitz, onde foram assassinados. A emoção cresceu bastante nesse momento, bem como quando nos disse que tinha visitado o campo, na semana anterior. Procedeu, então, ao acender da chama, em memória das vítimas e pediu um minuto de silêncio, para que pudéssemos refletir sobre todos os horrores que ocorreram nos campos.

Após toda esta breve cerimónia, mas extremamente emotiva, seguimos para dois corredores onde aprendemos um pouco mais sobre aquilo que ocorreu. 

Entre 1933-1939 ocorreram, por toda a Alemanha, ataques organizados contra os judeus. Seguem-se anos de pavor para os judeus que foram vítimas de constante perseguição, violência e discriminação de modo a que a predominância da raça ariana ocorresse. Na noite de 9 para 10 de novembro de 1938 seguiu-se a tão famosa “Noite de Cristal” (assim conhecida devido aos vidros das montras espalhados pelas ruas devido à destruição), onde as tropas de assalto levaram a cabo uma campanha coordenada de vandalismo, incêndios, roubos e assassinatos. Foram destruídas 1000 sinagogas, 7500 lojas e 30 000 judeus foram enviados para os campos de concentração.

Portugal conservou uma neutralidade face à guerra, evitando a invasão alemã e conseguindo receber 50 000 refugiados. Ao longo do corredor, observámos as suas fichas, que nos indicavam o país de origem, o nome, a data de chegada, a rua onde moravam, entre outras informações. Segundo o arquivo, na sinagoga do Porto, entre 1940 e abril de 1941, chegaram refugiados da Bélgica, da França e do Luxemburgo. Os refugiados eram de todas as classes sociais, entre os 25-64 anos de idade sendo: polacos (maioritariamente), belgas, holandeses, franceses, austríacos, entre outras nacionalidades. O seu sonho era chegar aos Estados Unidos da América, porém acabaram por ser conduzidos para a América de Sul.

                                                        Fichas dos refugiados no lado esquerdo

               Fonte: Museu do Holocausto, https://www.mhporto.com/pt/visi

Em 1939, a Alemanha e a União Soviética tinham os exércitos mais poderosos da Europa e, portanto, estes assinaram um pacto e invadiram a Polónia. Cerca de 1 500 000 judeus ficaram sob o domínio totalitário e racista da Alemanha e 1 200 000 ficaram sob o domínio totalitário e ateísta soviético. Hitler dizia que os judeus tinham criado o comunismo e controlavam a URSS. Traindo o pacto estabelecido com Estaline, a Alemanha invade a União Soviética em junho de 1941.

Após a invasão da Polónia pelos alemães, os judeus são concentrados em guetos, vivendo em condições desumanas. Membros das unidades especiais das SS (organização paramilitar ligada ao Partido Nacional-Socialista) humilhavam os judeus castigando-os com espancamentos, destruição de sinagogas e humilhações. Os judeus eram obrigados a trabalhar utilizando uma roupa cozida com a “estrela de David” (símbolo do judaísmo).

Na Polónia e na União Soviética foram estabelecidos, pelos alemães, pelo menos 1 000 guetos, sendo o maior na Polónia, em Varsóvia, onde foram colocados mais de 400 000 judeus numa área de 3.3 quilómetros quadrados.

O plano nacional-socialista para exterminar o povo judeu iniciou-se em 1941 durante a invasão alemã à União Soviética. Os métodos iniciais, que consistia em fuzilamento e câmaras móveis de gás venenoso, foram considerados lentos e pouco eficazes, já para não falar do cansaço físico e stress que provocava nos assassinos. Após a Conferência de Wannsee, em janeiro de 1942, os nazis deram início à deportação sistemática por toda a Europa levando-os para seis campos de extermínio, sendo um deles o de Auschwitz-Birkenau. Estes campos de morte foram criados, principalmente, para eliminar os judeus.

No inverno de 1944/1945, os exércitos do Terceiro Reich começaram a sofrer derrotas na linha da frente ocidental e o chefe das SS, Heinrich Himmler, proibiu que os prisioneiros caíssem vivos nas mãos dos Aliados e, portanto, massas de gente esfomeada foram obrigadas a caminhar durante dias e semanas até tombarem, nas chamadas Marchas da Morte.

A Alemanha acaba por ser invadida a ocidente e a oriente. Adolf Hitler suicida-se e o país rende-se a 8 de maio de 1945. Muitos documentos, corpos e edifícios foram destruídos e queimados de modo a que o mundo não pudesse saber da tragédia que ocorria nos campos. A ocidente, as tropas britânicas e americanas chegam aos campos na primavera de 1945, onde encontram cenários de destruição, cheios de cadáveres, e dezenas de milhares à beira da morte.

O Holocausto exterminou cerca de 6 milhões de judeus, ⅔ da população judaica total que existia antes da Guerra. Mais de 2 milhões de judeus conseguiram fugir para outros países. No final da Guerra, 250.000 sobreviventes enfrentaram a árdua tarefa de reconstruir as suas vidas.

Apesar de já terem passado 79 anos desde o fim da Segunda Guerra, o Museu fez um apelo ao mundo atual, alertando para o ódio do Holocausto que está vivo. A Anti-Defamation League recolheu dados que nos indicam que o ódio aos judeus ainda ocorre na Europa e em Portugal. Os judeus são acusados de deter o controlo dos negócios mundiais, a responsabilidade pela maioria das guerras, de não se preocuparem com os outros povos, entre outros fatores.

O antissemitismo está presente na política atual de muitos países e, portanto, muitos grupos nacionalistas e identitários consideram que os judeus são estrangeiros indesejados, imigrantes especuladores.

Por último, visualizámos um vídeo de uma sobrevivente do Holocausto e confessou toda a tristeza e melancolia que sentiu ao saber que toda a sua família tinha morrido. Descreveu o horror que permanecia no campo e, através da sua voz, era notório o impacto que toda esta situação teve nela, sendo este um momento bastante comovente.

Foi, sem dúvida, uma experiência que permitiu conhecer mais sobre o Holocausto, e permitiu emocionar bastante os presentes. Agora, basta impedir que momentos trágicos que ficam para a História da Humanidade não sejam esquecidos de modo a que todos tenham acesso à tragédia da época para, consequentemente, evitar que desastres humanos como este voltem a ocorrer.

     

                                               Fonte: Museu do Holocausto,  https://www.mhporto.com/pt/visits

                                                        Lara Freitas e Luísa Pinto, 11LH1


    

       Maria Ribeiro e Martina Guimarães, do 11LH2