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quarta-feira, 31 de maio de 2017

Visita de Estudo ao Litoral Norte - notícia Jornal Encontro

Projeto Ler+Mar
Visita de Estudo ao Litoral Norte
“Causas e as consequências da degradação do cordão dunar”

No dia 8 de março, as turmas do 11º ano (CT1; CT2;CT3;CT14;CT5), acompanhados dos seus professores da disciplina de Biologia e Geologia, realizaram uma visita de estudo ao Litoral Norte, inserida no projeto da biblioteca escolar (Ler+Mar: "Da Penha vê-se o mar") constituindo uma importante estratégia para consolidação e amplificação dos conhecimentos abordados no domínio curricular da disciplina de Biologia e Geologia do 11º ano, com especial enfâse para o capítulo 1 do tema 4 “Ocupação Antrópica e Problemas de Ordenamento”.
A primeira paragem teve lugar em Aver-o-Mar, onde se iniciou a caminhada pelos passadiços. Os alunos, já esclarecidos sobre os objetivos da visita e na posse do guião da visita, tomaram as suas notas, sempre orientados pelos seus professores. Uma das paragens foi a praia da Fragosa, para observar alguns afloramentos rochosos. Seguiu-se a praia do Esteiro, onde se encontra a foz do rio Esteiro; a praia do Quião e, depois, a Aguçadoura. Antes do almoço, foi ainda possível ver a praia da Barranha, situada junto ao parque de estacionamento do campo do Aguçadoura Futebol Clube.
Após o almoço, o grupo dirigiu-se, de camioneta, para Ofir, onde se fez uma caminhada pela praia, até aos esporões. Finalmente, partiu-se para o último ponto da visita: Esposende, onde se encontra a foz do rio Cávado e a restinga de Ofir. Os alunos puderam, então, aplicar os conteúdos em sala de aula e trabalhar a literacia geológica.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A aparição do mundo

Reunida a obra poética de Carlos Poças Falcão é de uma intensidade excepcional
Texto António Guerreiro

Discreto e pouco prolixo, Carlos Poças Falcão publicou de 1987 até hoje meia dúzia de livros e alguns poemas avulsos. Reunidos agora num só volume, que inclui alguns inéditos, eles ganham uma dimensão perante a qual não podemos ser cegos nem sóbrios: trata-se de uma obra poética poderosa que se mede pelos mais altos critérios de exigência, quer no trabalho extremamente minucioso e rigoroso da composição quer na intensidade com que ela se põe a caminho daquilo a que Mallarmé chamava "a explicação órfica da terra", que ele dizia ser "o ' único dever do poeta e o jogo literário por excelência". E, dizendo isto, estamos a sugerir duas coisas: que Carlos Poças Falcão é um poeta órfico (pertence à família de um Herberto Hélder, algo que é mais notório nos seus primeiros livros); e que há nele a pulsão trágica do todo e do infinito, reiterada na palavra "mundo", que embora declinada em figurações laicas, ganha ressonâncias teológicas: "Eis o coração do mundo, a forma do mundo/ em que a velocidade salta, a vida alastra/em fulcros, numa violência habitual,/árdua e descontínua com uma cabeça a ver/ cada maravilha, os vulcões, as zonas fundas/ e esses incansáveis ani-' mais, do seu nome/ despegados, as pregas do mar e as contínuas/ polinizações, solares ventilações,/ tudo a afluir a uma cabeça acelerada,/ uma alma rotativa de grinaldas, tempos/ a soprar nos frutos, por jóias incrustadas/ numa ondulação, uma forma, um coração". Este poema, do livro "Três Ritos", de 1993, pertence a uma fase de grande exuberância imagética (nos seus últimos livros, Carlos Poças Falcão tende para um discurso lapidar e elíptico), em que a palavra poética, por força da proferição, parece instaurar – e não representar – “a forma do mundo”.
Mas o que é um poeta órfico? Quando se fala de orfismo, pensa-se imediatamente nos hinos órficos, nos cantos em honra dos deuses. Aquilo que na modernidade se chamou "poesia pura" não, é senão uma poesia que segue o caminho inverso da secularização e experimenta um ressurgimento religioso, evoca um fundo cultural. Esta poesia que tem o carácter de hino - opondo-se à lírica burguesa moderna - parece ressuscitar aquilo que a modernidade tinha eclipsado: uma harmonia austera e um pressuposto teológico. A poesia de Carlos Poças Falcão pode ser lida com base neste pressuposto (mas o conhecimento científico não é nela menos importante) com tudo aquilo que ele implica de "desaparecimento elocutório" do Eu do poeta, como dizia Mallarmé. É por isso que ela é tão impessoal: porque é a experiência de uma voz e não de um Eu; e tão a-histórica: porque é uma proferição sem tempo, em que o aqui e agora abre sempre o abismo da intemporalidade e reatualiza a fundação e a expansão do mundo: "Quando uma passada ritmar o pensamento/ a terra aparece a mover-se arcaicamente./ Ajusta-se em destino, a dor, nesse desejo/ de iluminar perguntas, a ouro, em incisões. mas a vida expande, redobra, infunde rirmos/ para que os pulmões, os membros, as cabeças amem ir assim, numa passada.

Talvez chames/ alegria ao coração, ao passo, o movimento". A dialética holderliniana do "orgânico" (o particular, o limitado, a ordem, a forma) e do "aórgico" (o universal, o ilimitado, o infinito, o informe) encontra nesta obra poética uma atualização muito evidente. Fácil é perceber, pelo que atrás foi dito, que se trata de uma poesia que, sem quaisquer ilusões nem ingenuidades (pelo contrário, ela revela uma profunda autoconsciência), se dirige numa direção em que se defronta voluntariamente com o que a modernidade eclipsou: o orfismo e o hino como canto de louvor e celebração. 

oguerreiroxpresso.impresa.pt 
in Expresso/22 de dezembro de 2012/ATUAL/32

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A poesia de Carlos Poças Falcão foi apresentada na Francisco de Holanda


Jovens alunos puderam ter o primeiro contacto com a obra "Arte Nenhuma" do professor Carlos Poças Falcão, na Escola Francisco de Holanda. Há também uma sessão marcada para o lançamento do livro, amanhã, na associação Convívio. Chama-se "Arte Nenhuma", mas de arte tem tudo. A mais recente obra de poesia de Carlos Poças Falcão, professor da Escola Secundária Francisco de Holanda, foi apresentada à comunidade escolar na última quinta-feira, numa sala repleta. A obra trata-se de uma antologia da poesia publicada em livro, mas também em algumas revistas e imprensa, que vai desde 1987 até 2012. Estamos perante "um grande poeta" descreve o editor José Manuel Costa, da Opera Omnia, que diz ainda haver esperança para o mercado da poesia em Portugal. "Em termos materiais é um investimento da editora, mas o investimento é mais do poeta", salienta, visivelmente lisonjeado pela opção do autor. De acordo com Salgado Almeida, também ele poeta e ex-aluno de Carlos Poças Falcão, a quem coube a apresentação de "Arte Nenhuma", estamos perante um livro que revela "uma sequência organizada de forma cronológica, que denota um percurso consistente, inquestionável e quase definitivo" deste autor que diz não saber falar de poesia. Entre leituras de alguns poemas, por parte dos alunos, que dinamizaram a sessão de apresentação, Carlos Poças Falcão tentou amenizar "o medo" de se ler poesia. Deixando a sua obra para segundo plano, o poeta aproveitou a plateia jovem para encorajar os alunos para este tipo de leitura. “Não se atrapalhem e tenham coragem, porque os poemas não são assim tão misteriosos”, alertou, definindo os poemas como convites aos leitores para entrar num novo mundo. Partir para os poemas sem pressas, de maneira simples e sem receio de não entender tudo é uma mensagem que ficou gravada neste dia, mas foi deixado também o aviso de que é preciso ter um vocabulário acima "do das baleias, que têm cerca de 600 signos vocálicos", sublinhou. Carlos Poças Falcão diz, no entanto, ter uma escrita acessível para ser compreendido, mas ironicamente diz também não estar muito preocupado com isso. "Também dizem por aí o que são quatro milhões de euros e eu não entendo nada disso", relata em tom de brincadeira para um público que ainda vai a tempo de adquirir competências linguísticas para se encontrar com a obra de Carlos Poças Falcão. Como escreve o poeta num dos textos de "Arte Nenhuma", "nada se procura quando nada existe encontro". E foi esse encontro que tentou transmitir aos alunos para que depois procurem a poesia. Convívio recebe lançamento do livro A associação Convívio, em colaboração com a editora Opera Omnia, estão a preparar para amanhã o lançamento de "Arte Nenhuma" de Carlos Poças Falcão. A sessão começa às 
21 h30 na sede da associação, no Largo da Misericórdia. 
 Sandra Freitas
 in O POVO, de 23 de novembro de 2012