domingo, 3 de abril de 2016

Livre com um livro

Uma vez mais a nossa escola aceitou o convite do  Núcleo de Estudos 25 de Abril. Assim, nos dias 30 e 31 de março, entre as 15.00h e as 18:00h, os nossos jovens, juntamente com os de outras escolas do concelho, encontraram-se na Plataforma das Artes, para os ensaios da atuação que decorrerá no dia 16 de abril, pelas 16:00h, na Black Box da Plataforma das Artes. Uma experiência certamente inesquecível para os nossos jovens que sob as orientações do ator Paulo Calatré, se sensibilizaram para as questões da liberdade, para a  importância da Revolução dos Cravos, através da obra "Os memoráveis" de Lídia Jorge.

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sábado, 2 de abril de 2016

Dia Internacional do livro Infantil

Dia Internacional do livro Infantil
No dia 2 de abril, comemora-se em todo o mundo o nascimento de Hans Christian Andersen. A partir de 1967, este dia passou a ser designado por Dia Internacional do Livro Infantil, chamando-se a atenção para a importância da leitura e para o papel fundamental dos livros para a infância na aquisição de competências no âmbito das literacias junto dos mais novos.
A mensagem do IBBY internacional, este ano da responsabilida-de do Brasil, consta de um texto da escritora Luciana Sandroni e de um cartaz do ilustrador Ziraldo.
Eis a história de Luciana Sandroni:
“Era uma vez uma… Princesa? Não.
Era uma vez uma biblioteca. E também era uma vez a Luísa que foi à biblioteca pela primeira vez. A menina andava devagar, puxando uma mochila de rodinhas enoooorme. Ela olhava tudo muito admirada:
Estantes e mais estantes recheadas de livros. Mesas, cadeiras, almofadas coloridas, desenhos e cartazes nas paredes.
– Eu trouxe a foto – disse timidamente para a bibliotecária.
– Ótimo, Luísa! Vou fazer sua carteira de sócia.
Enquanto isso pode escolher o livro.
Você pode escolher um livro para levar para casa, tá?
– Só um?! – perguntou desapontada.
De repente, tocou o telefone e a bibliotecária deixou a menina com aquela difícil tarefa de escolher somente um livro diante daquela infinidade de estantes. Luísa puxou a mochila e procurou, procurou até que achou o seu favorito: Branca de Neve. Era uma edição de capa dura, com lindas ilustrações. Com o livro na mão, puxou a mochila novamente e, quando já saía, alguém bateu no seu ombro. A menina se virou e quase caiu para trás de susto: era nada mais, nada menos que o Gato de Botas com o livro dele nas mãos, quer dizer, nas patas!
– Bom dia! Como vai sua tia? – brincou o gato fazendo uma reverência. - Luísa, você já não está careca de saber essas histórias de princesas? Por que não leva o meu livro, O Gato de Botas, que é bem mais divertido?
Luísa, admiradíssima, com os olhos arregalados, não sabia o que dizer.
– O que houve? O gato comeu a sua língua? – brincou.
– Você é o Gato de Botas de verdade?!
– Eu mesmo! Em pelo e osso! Pois, então, me leve para a sua casa e você saberá tudo sobre a minha história e a do Marquês de Carabás.
A menina, de tão perplexa, só fez que sim com a cabeça.
O Gato de Botas, num passe de mágica, voltou para o livro, e, quando a Luísa já saía, alguém bateu no seu ombro de novo. Era ela: “branca como a neve, corada como o sangue e de cabelos negros como ébano”. Já sabem quem é?
– Branca de Neve!? – disse Luísa completamente abobada.
– Luísa, me leva com você também. Essa edição – disse mostrando o próprio livro – é uma adaptação fiel do conto dos irmãos Grimm.
Quando a menina ia trocar de livro de novo, o Gato de Botas apareceu muito irritado:
– Branca, a Luísa já se decidiu. Volte lá para os seus seis anões.
– São sete! E ela não se decidiu coisa nenhuma! – se irritou a Branca ficando bem vermelha de raiva.
Os dois encararam a menina esperando uma resposta:
– Eu não sei qual levar. Eu queria levar todos…
De repente, de repente, aconteceu a coisa mais extraordinária: os personagens todos foram saindo dos seus livros: a Cinderela, a Chapeuzinho Vermelho, a Bela Adormecida, a Rapunzel. Era um time de verdadeiras princesas:
– Luísa, me leva para a sua casa! – suplicavam todas.
– Eu só preciso de uma cama para dormir um pouquinho – disse a Bela bocejando.
– Só cem anos, coisa pouca – ironizou o Gato.
– Posso fazer a faxina na sua casa, mas à noite eu tenho uma festa no castelo do…
– Príncipe! – gritaram todos.
– Na minha cesta eu tenho bolo e vinho. Alguém quer? – ofereceu a Chapeuzinho.
Depois surgiram mais personagens: o Patinho Feio, a Pequena vendedora de Fósforos, o Soldadinho de Chumbo e a Bailarina:
– Luísa, podemos ir com você? Somos personagens do Andersen – pediu o Patinho Feio, que nem era assim tão feio.
– A sua casa é quentinha? - Perguntou a menina dos fósforos.
– Ihhh, se tiver lareira é melhor a gente ficar por aqui… – comentou o Soldadinho com a Bailarina.
Só que, subitamente, surgiu um lobo bem peludo, enorme, com os dentes afiados, bem ali na frente de todos:
– O Lobo Mau!!!!!
– Lobo, por que essa boca tão grande? – perguntou a Chapeuzinho por força do hábito.
- Eu protejo vocês! – disse o soldadinho muito corajoso.
Foi então, que o Lobo abriu a maior bocarra e… Comeu todo mundo? Não. Só bocejou de sono e depois disse muito tranquilo:
– Calma, pessoal. Eu só queria dar uma ideia. A Luísa leva o livro da Branca de Neve e nós podemos ir dentro da mochila, que é bem grande. Todos acharam a ideia muito boa:
– Podemos, Luísa? – perguntou a Menina dos Fósforos que tremia de frio.
– Tudo bem! – disse abrindo a mochila.
Os personagens fizeram uma fila e foram entrando.
– Primeiro as princesas! – reivindicou a Cinderela.
Na última hora, os personagens brasileiros também apareceram: o Saci, o Caipora, uma boneca de pano muito tagarela, um menino muito maluquinho, uma menina com uma bolsa amarela, outra com a foto da bisavó colada no corpo, um reizinho mandão. Todos entraram.
A mochila estava mais pesada que nunca. Como os personagens pesam!
Luísa pegou o livro da Branca e a bibliotecária anotou tudo no fichário.
Mais tarde, a menina entrou em casa na maior alegria, e a mãe gritou lá de dentro:
– Chegou, filha?
– Chegámos!”

Luciana Sandroni


sexta-feira, 1 de abril de 2016

Poisson d’avril

Poisson d’avril
1 de Abril 
Um mergulho pela história…
Antes de 1564 o primeiro dia do ano correspondia ao dia um de Abril e não ao dia um de Janeiro como acontece atualmente.
É a 9 de Agosto de 1564 que, em França, se assina o Édito de Roussillon…
Até então, para o Parlamento de Grenoble, o ano começava no Natal e, para a Igreja de Vienne (Rhônes-Alpes), na Incarnação, a 25 de Março. Na sala do castelo de Roussillon, conhecida, hoje, como “sala do édito” foi assinado, entre outros, o artigo seguinte respeitante ao início do ano civil:
"Art. XXXIV : Voulons et ordonnons qu'en tous actes, registres, instruments, contracts, ordonnances, édicts, lettres tant pattentes que missives et toute écriture privée, l'année commence doresnavant et soit comptée du premier jour de ce mois de janvier " (« art. XXXIV : Queremos e ordenamos que em todos os actos, registos, instrumentos, contratos, decretos, éditos, cartas quer pattentes quer missivas e toda a escrita privada, o ano comece doravante e seja contado do primeiro dia deste mês de Janeiro”)
Este édito e uma parte dos outros tinham sido redigidos em Paris, em Janeiro, mas só foram publicados em Roussillon, a nove de Agosto do ano da graça de 1564.



Quem reinava em França, nessa altura?

O rei de França chamava-se Charles IX, segundo filho de Henri II e de Catherine de Médicis. Sucedeu na governação a seu irmão François II, quando tinha apenas dez anos. Carlos IX era, tal como os irmãos, uma criança frágil, quer física quer psicologicamente. A sua mãe ficará com regente, nomeando Antoine de Bourbon tenente geral do reino. Deste modo, católicos e protestantes encontram-se frente a frente, dando lugar às guerras religiosas, sendo a mais violenta a que ocorre em 1572, na altura de S. Bartolomeu, em que se assiste ao massacre dos chefes protestantes.
Era inconstante, vacilando entre a influência da mãe e a de Gaspard de Coligny (um dos chefes das reformas aquando as primeiras guerras religiosas).
Morre antes de completar 24 anos, a 30 de Maio de 1574 sucedendo-lhe o seu irmão, o duque de Anjou, futuro rei Henri III, rei da Polónia.


Como é que esta decisão influencia o mundo?
É com o Papa Gregório XIII e a sua reforma do calendário juliano, que a lei decretada por Charles IX se espalhará pelo mundo… Estamos perante o chamado calendário gregoriano, pelo qual nos regemos ainda hoje. Este entra em vigor a 15 de Outubro de 1582 (como facilmente se deduz, neste calendário cada ano tem início a 1 de Janeiro…).
        E como se associam estas mudanças ao “poisson d’avril ?” ou “dia das mentiras?”

A verdade é que nem todas as regiões francesas aceitaram passivamente a mudança do calendário e a 1 de Abril de 1565 enviaram os seus “presentes”. Com a passagem dos anos esses pequenos presentes transformaram-se em partidas.


Mas…o que motiva a escolha do peixe?
Não há aqui respostas únicas. Uma das hipóteses considera que esta escolha está associada à interdição de pescar já que em Abril é a altura em que os peixes se reproduzem. Houve, então, algumas pessoas mal-intencionadas que teriam tido a ideia de pregar partidas aos pescadores, lançando arenques (peixes de água salgada) nos rios (água doce) e gritar: POISSON D’AVRIL!!!!! Outras pessoas terão associado esta tradição ao facto de, no início do mês de Abril a lua sair do signo do Zodíaco de Peixes. Há, ainda, os que a associam ao período da Quaresma em que a carne é substituída pelo peixe.
As hipóteses são, então, muitas, as certezas…nenhumas. Isto não é, porém, impeditivo da diversão que permanece, até hoje, e que não são mais do que motivo para conviver.
Atualmente, em França, as crianças fazem os seus peixes de várias cores e colam-nos nas costas dos seus amigos.
No século XV um “poisson d’avril” era o nome dado ao jovem que tinha a seu cargo servir de mensageiro entre os apaixonados. No dia um de Abril, estes enviavam postais com mensagens de amor. Estas paixões eram, geralmente secretas, porque proibidas. Como o peixe não fala, enviar uma carta anónima com um peixe era uma forma  declarar o seu amor. Esta tradição perdeu-se, mas a sua beleza permanece neste postal de 1908: 

Um pormenor interessante relativamente a este postal é que ele foi enviado de Guimarães para Grenoble, certamente de um apaixonado saudoso…

Na Inglaterra, a este dia dá-se o nome de “April’s fool” e a sua tradição remonta ao século XVII. Todos os anos se inventam falsas notícias, que os jornais publicam para desmentir no dia seguinte… As superstições dizem que não se podem pregar partidas a partir da meia-noite do dia 1 de Abril, sob o risco de atrair o azar. O mesmo acontecerá àqueles que não responderem com bom humor às partidas.

Na Escócia assiste-se, durante dois dias, ao “hunt-the-gowk” (gowk é um pássaro, o cuco) Neste caso, a tradição consistia em enviar uma mensagem, através do “parvo” da aldeia ao primeiro que este encontrasse. O que a recebia enviava-a a outro e assim sucessivamente, até que o próprio mensageiro se cansasse e a abrisse. A carta dizia “Caça o cuco, em mais um milheiro”. Quando regressava à aldeia, cansado de tanto ter andado em vão, os farsantes, que lhe tinham preparado a partida chamavam-lhe “April gowk”, cuco de Abril (é interessante recordar que o cuco tem a particularidade de roubar os ninhos dos outros pássaros). Já no dia dois de Abril, chamado “Taily Day”, os escoceses procuram dar um pequeno presente à pessoa escolhida para pregar a partida, colando-lhe um pequeno cartaz nas costas onde se pode ler “Dá-me um pontapé”.

Na Bélgica a tradição permanece bem viva e crianças e adultos procuram colar os peixes nas costas dos amigos.

Na Alemanha diz-se “April April” ou “Aprilscherz” quando se prega a partida ou depois de ter enganado a sua vítima. A tradição remonta ao século XVII.

Em Portugal, no dia 1 de Abril pregam-se partidas e atira-se farinha ao amigos.

Em Espanha a tradição conhece duas versões, sem dúvida, curiosas… Assim, no dia 1 de Abril comemora-se o dia “de los engaños”, porém a data que obteve maior empatia de todos é o 28 de Dezembro, com a celebração do dia “de los inocentes” ou, como lhe chama a Bíblia, o dia “de los santos inocentes”. Esta última data está ligada a um acontecimento bíblico: Herodes mandara matar todas as crianças, após a notícia do nascimento do Salvador (Jesus Cristo). Apesar de ser uma data sangrenta, e sem haver uma explicação clara, este dia tornou-se festivo, perdendo a ligação à passagem bíblica. Hoje, associa-se a esta data a ideia de “perdão”, isto é, as partidas são toleradas e não se pode crer cegamente no que é dito… tornou-se usual uma ou outra mentira ”inocente”. Nesse dia, fazem-se recortes de cartão com o formato de crianças e pregam-se nas costas dos mais desprevenidos (tal como em França com os peixes).  



domingo, 20 de março de 2016

Semana da Leitura: Elos de Cultura

Lavoisier também gostava de ler
História animada


No final do 1º período, a professora bibliotecária trabalhou em conjunto com a professora Susana Pinho e a sua turma 10º TDS, A turma visitou a Casa Museu de Vilar, contactou com a história do pré-cinema, através da voz de Abi Feijó. Seguiu-se o trabalho na biblioteca. A professora bibliotecária propôs trabalhar excertos da obra "O homem que plantava árvores" de Jean Giono, conto estudado, mais tarde, nas aulas de Português.

      

Após o contacto com a obra e a sua contextualização, seguiu-se uma exploração da mensagem contida nos excertos e, depois, o tratamento artístico a dar ao texto (já em sala de aula). Na Semana da Leitura expuseram os melhores trabalhos, cujos modelos serão transformados em taumatrópios para que os nossos jovens possam ter um contacto mais direto com estes objetos.


      

sábado, 19 de março de 2016

Semana da Leitura: Elos de Amor

Tia Guida

No dia 17 de março o nosso Encontro com…foi com André Fernandes, um jovem que partilhou, com uma plateia atenta e emocionada o que é acompanhar um ente querido com cancro (a Tia Guida, mãe de amor) e tirar daí uma experiência de vida que, sem dúvida, vale a pena ser partilhada.
Sendo o tema de difícil abordagem, a verdade é que trata uma realidade que nos cerca, nos afeta e com a qual temos imensas dificuldades em gerir as emoções.
O André abordou o assunto com seriedade, mostrando que cabe a cada um de nós gerir as emoções, aceitar a realidade e vivermos o Amor a cada dia, usufruirmos da vida no que ela tem de bom e procurarmos soluções, caminhos para a nossa vida e não nos deixarmos levar pelas emoções mais negativas que tendem a invadir os nossos pensamentos e a nossa vida, sobretudo perante aquilo que não conseguimos controlar ou mesmo compreender.

Um forte agradecimento ao André que nos lembrou que a Vida deve ser vivida de forma positiva, enfrentando os problemas e procurando nos momentos menos bons, vislumbrar o quanto nós, Seres Humanos temos de bom para partilhar.


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sexta-feira, 18 de março de 2016

Semana da Leitura: Elos de Leitura/Elos de História

No dia 16 de março, o nosso Encontro com…foi com Carlos Guimarães, escritor por paixão, médico de profissão, que nos deu a conhecer “O trémulo da carriça”. Foi antes de mais, um encontro com as memórias…com a escola que fora a sua e a saudade e a alegria do regresso estavam estampados no olhar do nosso escritor. Depois, já com os alunos, foi um trocar de aprendizagens, de histórias pessoais que são vivências partilhadas pelos da sua geração, pela geração dos pais dos nossos alunos, deveras curiosos e espantados com as mudanças sociais, com um passado tão perto que eles parecem não conhecer…
Um encontro fantástico com “um escritor da terra”, um médico que não esqueceu as suas raízes e que nos fez sonhar, pois se as condições económicas e sociais não eram as melhores, a família, a amizade, a alegria de viver, a partilha das traquinices, dos jogos, a descoberta da leitura…tudo isso é intemporal e não deve ser levado pelo vento…A nossa vida é feita pelas nossas memórias, que os nossos pais e avós devem perpetuar passando-as aos nossos jovens, que se devem orgulhar das suas origens.
 “O trémulo da carriça” é um livro para ler e servir de ponto de partida para a partilha de memórias em família.

Um muito obrigada ao (Dr.) Carlos Guimarães, por nos trazer um pouco das suas memórias que também são muito nossas.
 
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segunda-feira, 14 de março de 2016

Semana da Leitura: Elos de Tradição/Elos de Amizade

Semana da Leitura: Elos de Tradição/Elos de Amizade


Este ano, quem passou pela BE, teve a oportunidade de apreciar (e adquirir) os bordados de Guimarães, da Dª Helena, antiga funcionária da nossa escola. E, porque a escola é a nossa segunda casa e os elos de amizade são inquebráveis, a Dª Helena continua a vir à nossa escola, trabalhando e convivendo, já que a família é para sempre e não “cessa o contrato” com a aposentação.




sábado, 12 de março de 2016

Semana da Leitura: Elos de Leitura/Elos de Amizade

Este ano, a Semana da Leitura teve início um pouco mais cedo. No dia 10 de março recebemos, pela 4ª vez, o escritor-amigo, Pedro Guilherme Moreira. São os nossos Elos de Amizade que nos trazem, todos os anos, o autor das obras "A manhã do mundo e "Livro sem ninguém". Este ano, a responsabilidade da apresentação do escritor foi da responsabilidade da Inês Guerra, da Inês Forte e do André, do 10ºLH4, que muito bem estabeleceram a relação do livro "A manhã do mundo" com o fatídico 11 de setembro. Foram Elos de Leitura, de Amizade, mas também de Solidariedade com todos aqueles que, todos os dias, são vítimas de atitudes incompreensíveis.
Não deixem de consultar o blogue "Ignorância" e ler o texto do escritor sobre este encontro. http://ignorancia.blogspot.pt/2016/03/xico-2106-ano-4.htm
Deixo-vos com a transcrição do texto constante no blogue, que não devem deixar de consultar.

Xico 2016, Ano 4

Senti-te a falta, Maria. Bé para os colegas. A Maria foi a alma dos meus anos todos, e não consigo partir para mais um relato da substância sem me penitenciar. Não me importei como reclamo para mim e para os outros, falhei, na voragem dos dias intensos, um olhar mais dedicado à minha amiga Maria, uma grande professora de português e uma grande mãe. As professoras Rosário e Manela dão o litro, mas a Maria sempre foi a minha alma na Xico. Por isso te senti a falta, mas este, deixa-me que te diga, Maria, foi dos nossos melhores anos. Na Xico 2017 - ano 5, quero-te a ti à Clara, por favor. Neste novo formato, em que vou acompanhado de delegados da editora, graças a um departamento, o dos "Encontros de Autor", que está a funcionar afinadinho, é mais fácil gerir a ressaca de afectos. Não ir sozinho e não vir sozinho permite uma percepção mais clara das falhas e dos acertos. A Liliana foi a delegada para a Xico. Um tripeiro reconhece outro tripeiro, e a Liliana podia estar calada o tempo todo e eu saberia que ela era uma tripeira. Mas a Liliana é muito mais do que isso. Boa ouvinte, atenta, com um juízo crítico lúcido, profundamente bonita do que na beleza não é visível - mas também do que é -, uma verdadeira companheira de aventura. E as escolas são verdadeiras aventuras. Este ano a professora Rosário estava doentinha e a Manela-bibliotecária tem só dois braços, pelo que a coisa correu mais entre mim e os alunos, mais precisamente as Ineses com nomes bélicos, Guerra e Forte, e a Jéssica com nome de guerreira, Valente, no antes, e, entre muitos que ficaram mais escondidos na sombra ou na luz dos próprios sorrisos (eu vi-vos, acreditem que vos vi, mas não tenho o direito de vos expor; os vossos olhos eram tão vorazes quanto doces, olhavam para mim como se olha para os actores no teatro, com alimento, e eu agradeço-vos isso), a Rita Antunes, o Miguel, o André, a Fabiana, a Francine, a Carolina (sim, tu, que estavas mesmo em frente a mim) e a Ana Luísa. 

 Depois, no caderno, a assinar dedicatórias que até comoveriam um menir, e assinando quase em coro com o tag #somosTodosPedro (os tags, todos juntos, ali, no caderno, eram poderosos e comoveram-me a sério), Rita Ribeiro ("a tua poesia vale mil sorrisos"), a Glória Fernandes ("ainda há escritores que têm o dom de fazer as palavras valer"), Filipa-Carolina-Ana-Sara-Maria (a visão colectiva da literatura), todo o 11º LH1 (o futuro nas nossas mãos), Márcia-Jéssica-Mónica ("provocas-nos um sorriso verdadeiro e lágrimas de felicidade"), todo o 10º LH4 ("muito obrigado por este grandioso momento"), o arrepio e a comoção da Lara Rodrigues (eu não vos disse que a literatura não era chata?) - que passou a ver a literatura como poderosa, Cátia-Teresa-Vera ("a tua presença é mesmo "awsome" - tão fixe, isto!),  Ângela e Bianca (repetentes em sessões, acham que valeu cada minuto), o longo (adoro quando escrevem muito, como eu) e bonito texto da Inês Martins ("sempre achei que a literatura era apenas algo que aprendíamos na escola e que durava tanto quantos os anos em que estudamos; (...) aprendi esse significado com o Pedro. Literatura é arte, é vida, é alma, é tudo. (...)"), a aluna que mais se emocionou durante toda a sessão e que, por isso, teve direito ao original, a Rita Antunes (não vou sequer transcrever as tuas palavras; eu estive atento; a tua emoção não foi banal, foi gratificante; é isso que procuro com a literatura, Rita. Se não há emoção, eu declaro derrota), a/o anónima/o que reflectiu sobre os filtros e as abertura do peito e da alma e que riscou o nome e deixou só 10LH4, a Débora, que me viu à transparência ("um homem grande com um coração grande; (...) continua a partilhar, muda vidas, uma palavra basta"), a Bárbara Inês ("obrigada pelas palavras, Pedro, obrigada por seres tão genuíno, tão real. E, acima de tudo, obrigada por te preocupares"), e as Ineses, que falam de que o dia as mudou - só pode ser a minha ambição máxima: que seja o dia e a vida. Respondo ao André, que escreveu "Porque é que divides o mundo em gerações? Somos todos seres humanos." - Eu sou o primeiro a dizer para todos me tratarem por tu e a ter amor por gente boa, tenha 10, 15 ou 80 anos, André. A boca da geração é para vos abanar. Ou melhor: para abanar os que estão mais adormecidos. Só isso. Se reparares, André, eu acosso-vos e mimo-vos a todo o tempo. Puxo e empurro. Abano.


Tive oportunidade de publicar esta foto logo a seguir à sessão. Uma referência breve à declaração de amor "És o Deus da literatura", anónima e sob o tag #PedroDeus: não tenho de explicar que me sinto pequenino perante uma frase divinizadora, que não é, obviamente, literal, mas uma espécie de abraço de sangue - a menina ou o menino que escreveram isto querem, apenas, dizer que entenderam nas suas profundezas o que aqui fui dizer e que, como a Liliana caracterizou, e bem, é uma espécie de missão. Nós queremos muitas vezes dizer isto aos nossos ídolos, não porque eles sejam os nossos verdadeiros deuses, mas porque nos flagraram a essência, porque nos vieram dizer ao espaço pequeno e quase insondável (e certamente inefável) que fica, mais do que dentro, por trás do coração e em lugar nenhum do mundo, mas em todos os lugares das pessoas (dentro ou fora do mundo, do passado ao futuro, do tempo todo) o que nós não conseguimos formar entre a língua, os dentes, a  garganta e o nariz, que é o lugar físico das palavras. Porque não há. Não há palavras para a nossa centralina. E então divinizamos. Quase por raiva, divinizamos. Eles, estes meninos e meninas maravilhosos, também são deuses para mim. A Cláudia Baptista perguntou-me de viva voz, no fim da sessão, se eu tenho na vida o drama que trato ficcionalmente. A minha resposta inteira foi longa. Mas comecei por lhe dizer que "sim, tenho perdido pessoas, mas há muitos mais novos do que eu que perderam mais". Mas a pergunta é tremenda. Demorou-lhe aquele tempo habitual para levantar a mão, mas a pergunta é tremenda, Cláudia. No fim, é sempre a mesma coisa: a ressaca de afectos. Mesmo com a Liliana a ajudar. Começo a medir as sessões pelos que ficam depois, vida fora, e vejo crescer. Alguns ficam meus amigos, amigos a valer. Faz este ano cinco anos que estou visível, publicamente, na literatura. A Xico teve a sua 4ª sessão em 104 visitas a escolas. Castelo de Paiva segue-se como a 105. Ovar como a 106, tudo numa semana, como é habitual antes das férias da Páscoa. Os que estiveram nas primeiras sessões estão agora a licenciar-se e, creiam-me, é maravilhoso acompanhar os que ficam por perto. Como eu dizia há uns anos, na Xico, custa-me ter de os deixar. Custa-me muito. Sempre. Mas é sempre uma experiência transcendente. Eu acho que é amor. Apenas isso. O tal sentimento que é sobre-humano.

PG-M 2016
Fotos propriedade da Escola Francisco de Holanda, Guimarães, Portugal



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