quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
A aparição do mundo
Reunida a obra poética de Carlos Poças Falcão é de uma intensidade excepcional
Texto António Guerreiro
Texto António Guerreiro
Discreto e pouco prolixo, Carlos Poças Falcão publicou de 1987 até hoje meia dúzia de livros e alguns poemas avulsos. Reunidos agora num só volume, que inclui alguns inéditos, eles ganham uma dimensão perante a qual não podemos ser cegos nem sóbrios: trata-se de uma obra poética poderosa que se mede pelos mais altos critérios de exigência, quer no trabalho extremamente minucioso e rigoroso da composição quer na intensidade com que ela se põe a caminho daquilo a que Mallarmé chamava "a explicação órfica da terra", que ele dizia ser "o ' único dever do poeta e o jogo literário por excelência". E, dizendo isto, estamos a sugerir duas coisas: que Carlos Poças Falcão é um poeta órfico (pertence à família de um Herberto Hélder, algo que é mais notório nos seus primeiros livros); e que há nele a pulsão trágica do todo e do infinito, reiterada na palavra "mundo", que embora declinada em figurações laicas, ganha ressonâncias teológicas: "Eis o coração do mundo, a forma do mundo/ em que a velocidade salta, a vida alastra/em fulcros, numa violência habitual,/árdua e descontínua com uma cabeça a ver/ cada maravilha, os vulcões, as zonas fundas/ e esses incansáveis ani-' mais, do seu nome/ despegados, as pregas do mar e as contínuas/ polinizações, solares ventilações,/ tudo a afluir a uma cabeça acelerada,/ uma alma rotativa de grinaldas, tempos/ a soprar nos frutos, por jóias incrustadas/ numa ondulação, uma forma, um coração". Este poema, do livro "Três Ritos", de 1993, pertence a uma fase de grande exuberância imagética (nos seus últimos livros, Carlos Poças Falcão tende para um discurso lapidar e elíptico), em que a palavra poética, por força da proferição, parece instaurar – e não representar – “a forma do mundo”.
Mas o que é um poeta órfico? Quando se fala de orfismo, pensa-se imediatamente nos hinos órficos, nos cantos em honra dos deuses. Aquilo que na modernidade se chamou "poesia pura" não, é senão uma poesia que segue o caminho inverso da secularização e experimenta um ressurgimento religioso, evoca um fundo cultural. Esta poesia que tem o carácter de hino - opondo-se à lírica burguesa moderna - parece ressuscitar aquilo que a modernidade tinha eclipsado: uma harmonia austera e um pressuposto teológico. A poesia de Carlos Poças Falcão pode ser lida com base neste pressuposto (mas o conhecimento científico não é nela menos importante) com tudo aquilo que ele implica de "desaparecimento elocutório" do Eu do poeta, como dizia Mallarmé. É por isso que ela é tão impessoal: porque é a experiência de uma voz e não de um Eu; e tão a-histórica: porque é uma proferição sem tempo, em que o aqui e agora abre sempre o abismo da intemporalidade e reatualiza a fundação e a expansão do mundo: "Quando uma passada ritmar o pensamento/ a terra aparece a mover-se arcaicamente./ Ajusta-se em destino, a dor, nesse desejo/ de iluminar perguntas, a ouro, em incisões. mas a vida expande, redobra, infunde rirmos/ para que os pulmões, os membros, as cabeças amem ir assim, numa passada.
Talvez chames/ alegria ao coração, ao passo, o movimento". A dialética holderliniana do "orgânico" (o particular, o limitado, a ordem, a forma) e do "aórgico" (o universal, o ilimitado, o infinito, o informe) encontra nesta obra poética uma atualização muito evidente.
Fácil é perceber, pelo que atrás foi dito, que se trata de uma poesia que, sem quaisquer ilusões nem ingenuidades (pelo contrário, ela revela uma profunda autoconsciência), se dirige numa direção em que se defronta voluntariamente com o que a modernidade eclipsou: o orfismo e o hino como canto de louvor e celebração.
oguerreiroxpresso.impresa.pt
in Expresso/22 de dezembro de 2012/ATUAL/32
sábado, 5 de janeiro de 2013
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Atividades
O escritor Pedro Guilherme-Moreira honrou-nos com a sua visita no dia 29 de novembro. Os alunos estavam ansiosos, pois queriam ouvir o autor de “A manhã do mundo”, obra escolhida no âmbito da leitura contratual. O encontro não podia ter corrido melhor: a atenção dos jovens, os seus comentários…não deixaram dúvidas que o Pedro Guilherme-Moreira os conquistara, primeiro pela sua obra, depois pela sua presença simpática, jovial e pela comunicação que estabeleceu com eles. Esperamos pelo próximo livro…pela próxima visita e, para quem não teve a possibilidade de o conhecer na sua primeira visita à nossa escola…os textos publicados no seu blogue são o melhor testemunho deste encontro! Consulta o seu blogue: http://ignorancia.blogspot.pt/ e não deixes de acompanhar a escrita deste já “nosso” escritor. Deixamos-te os seus textos sobre a sua passagem pela nossa escola, mas não esqueças o seu blogue.
Guimarães sem palavras
Professora Rosário and myself
"(...) Custa perder-me dos rapazes e raparigas que deram tudo de volta.
Custa-me o peso do coração, a leveza dos pensamentos, custa-me a fotografia que não se detém, o auditório da Xico cheio de luz e nós sem medo de olhar as caras todas uns dos outros, custa-me a brevidade, custa-me não repetir, custa-me o brilho encantado da Cristiana, da Rita, da Rute, da Cláudia, da Bia, do Bruno, do Luís, da Carla, da Bruna, da Ana, da Sandra, de pausas doces sem nome, custa-me não parar o tempo. (...)" "
Continua a ler aqui e aqui.
in IGNORÂNCIA
domingo, 23 de dezembro de 2012
sábado, 22 de dezembro de 2012
Atividades
No dia catorze de dezembro, na biblioteca da nossa escola, os alunos das turmas 10 TSE e 11 TSE puderam aprender um pouco mais sobre os usos e costumes da celebração do Natal em França bem como da gastronomia francesa característica desta época. Françoise Tissier, uma cidadã francesa a residir em Guimarães, que nos tem apoiado na divulgação da cultura e tradições francesas, explorou alguns diapositivos sobre as origens pagãs, religiosas e culturais desta época e dos conceitos que a envolvem. A apresentação foi esclarecedora e cativante. No final, os alunos puderam deliciar-se com algumas iguarias francesas desta ocasião festiva, como podemos constatar pelas fotos que ilustram a atividade.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Atividades
A colega Marta Borges partilhou com as bibliotecas interessadas, em que se incluiu a nossa, vários materiais e sugestões para o dia 10 de dezembro – dia em que se comemora a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão. Partindo do lema “A biblioteca quebra o silêncio” a nossa biblioteca partilhou com os colegas o vídeo “Tráfico de Seres Humanos Alerta - Biblioteca quebra o Silêncio” realizado pela equipa da BE de Tabuaço, partindo-se daí para o debate. O silêncio “foi quebrado”. Os nossos jovens ficaram sensibilizados e, por vezes, espantados com o que ainda acontece hoje, mesmo ao nosso lado. Esperamos chegar a outros públicos e que, cada um, reflita se este é o mundo que queremos!
Também no dia 10 de dezembro, a colega Manuela Fernandes (que leciona a disciplina de Português) trouxe à biblioteca uma adaptação de “O diário de Anne Frank”, cujos protagonistas fazem parte da turma TSE, do 10º ano. Professora e alunos estão de parabéns pelo trabalho realizado, que de forma lúdica, levou os alunos/atores e aqueles que os viram representar, a repensar a 2ª guerra mundial, perspetivada pela vivência de Anne Frank, jovem vítima de uma guerra, que não lhe permitiu ser criança.
Eis o texto ilustrado com algumas fotos da representação.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
A poesia de Carlos Poças Falcão foi apresentada na Francisco de Holanda
Jovens alunos puderam ter o primeiro contacto com a obra "Arte Nenhuma" do professor Carlos Poças Falcão, na Escola Francisco de Holanda. Há também uma sessão marcada para o lançamento do livro, amanhã, na associação Convívio. Chama-se "Arte Nenhuma", mas de arte tem tudo. A mais recente obra de poesia de Carlos Poças Falcão, professor da Escola Secundária Francisco de Holanda, foi apresentada à comunidade escolar na última quinta-feira, numa sala repleta. A obra trata-se de uma antologia da poesia publicada em livro, mas também em algumas revistas e imprensa, que vai desde 1987 até 2012. Estamos perante "um grande poeta" descreve o editor José Manuel Costa, da Opera Omnia, que diz ainda haver esperança para o mercado da poesia em Portugal. "Em termos materiais é um investimento da editora, mas o investimento é mais do poeta", salienta, visivelmente lisonjeado pela opção do autor. De acordo com Salgado Almeida, também ele poeta e ex-aluno de Carlos Poças Falcão, a quem coube a apresentação de "Arte Nenhuma", estamos perante um livro que revela "uma sequência organizada de forma cronológica, que denota um percurso consistente, inquestionável e quase definitivo" deste autor que diz não saber falar de poesia. Entre leituras de alguns poemas, por parte dos alunos, que dinamizaram a sessão de apresentação, Carlos Poças Falcão tentou amenizar "o medo" de se ler poesia. Deixando a sua obra para segundo plano, o poeta aproveitou a plateia jovem para encorajar os alunos para este tipo de leitura. “Não se atrapalhem e tenham coragem, porque os poemas não são assim tão misteriosos”, alertou, definindo os poemas como convites aos leitores para entrar num novo mundo. Partir para os poemas sem pressas, de maneira simples e sem receio de não entender tudo é uma mensagem que ficou gravada neste dia, mas foi deixado também o aviso de que é preciso ter um vocabulário acima "do das baleias, que têm cerca de 600 signos vocálicos", sublinhou. Carlos Poças Falcão diz, no entanto, ter uma escrita acessível para ser compreendido, mas ironicamente diz também não estar muito preocupado com isso. "Também dizem por aí o que são quatro milhões de euros e eu não entendo nada disso", relata em tom de brincadeira para um público que ainda vai a tempo de adquirir competências linguísticas para se encontrar com a obra de Carlos Poças Falcão. Como escreve o poeta num dos textos de "Arte Nenhuma", "nada se procura quando nada existe encontro". E foi esse encontro que tentou transmitir aos alunos para que depois procurem a poesia. Convívio recebe lançamento do livro A associação Convívio, em colaboração com a editora Opera Omnia, estão a preparar para amanhã o lançamento de "Arte Nenhuma" de Carlos Poças Falcão. A sessão começa às
21 h30 na sede da associação, no Largo da Misericórdia.
Sandra Freitas
in O POVO, de 23 de novembro de 2012
Subscrever:
Mensagens (Atom)








