sábado, 25 de junho de 2011

BOAS FÉRIAS!

Liberdade

Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa

Exames 2010 - 2011


Como sabem, após a sua realização, os exames com os respectivos critérios de correcção são disponibilizados on-line no site do Gave.
Aqui fica o endereço:
http://www.gave.min-edu.pt/np3/388.html

BOA SORTE

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O "nosso" Pessoa

Aniversário

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma,
De ser inteligente para entre a família,
E de não ter as esperanças que os outros tinham por mim.
Quando vim a ter esperanças, já não sabia ter esperanças.
Quando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.

Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,
O que fui de coração e parentesco.
O que fui de serões de meia-província,
O que fui de amarem-me e eu ser menino,
O que fui — ai, meu Deus!, o que só hoje sei que fui...
A que distância!...
(Nem o acho... )
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!

O que eu sou hoje é como a umidade no corredor do fim da casa,
Pondo grelado nas paredes...
O que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme através das minhas lágrimas),
O que eu sou hoje é terem vendido a casa,
É terem morrido todos,
É estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um fósforo frio...

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos ...
Que meu amor, como uma pessoa, esse tempo!
Desejo físico da alma de se encontrar ali outra vez,
Por uma viagem metafísica e carnal,
Com uma dualidade de eu para mim...
Comer o passado como pão de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!

Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...
A mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loiça, com mais copos,
O aparador com muitas coisas — doces, frutas, o resto na sombra debaixo do alçado,
As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...

Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira! ...

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!...

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935


segunda-feira, 30 de maio de 2011

Ciclo de Conferências

Pelo interesse científico e académico, tomamos a liberdade de informar que se inicia hoje o ciclo de conferências do ISAVE (Instituto Superior de Saúde do Alto Ave), integrado nas acções de promoção e divulgação do ISAVE 2011.
Os professores doutores Manuel Sobrinho Simões, Duarte Nuno Vieira, Rui Mota Cardoso, Walter Osswald, Ana Paula Silva Pereira são alguns dos nomes confirmados para as Conferências ISAVE que se vão realizar durante o mês de Junho.
As Conferências ISAVE são um momento único para a valorização pessoal, humana e científica, são espaço de reflexão e ideias para um Portugal mais crítico e activo.
Abertas a todos os que desejarem participar, o Auditório do ISAVE será palco de nomes que, em Portugal e no Mundo, são marcos na Ciência e no Humanismo.
A todos os participantes externos será passado, a pedido do próprio, certificado de presença.

Programa

1. 07 de Junho de 2011 | 17h00
Professor Doutor Rui Mota Cardoso
Sofrimento Humano: Stress e Depressão

2. 15 de Junho de 2011 | 11h00
Professora Doutora Ana Paula Silva Pereira
Apoio às Famílias em Intervenção Precoce

3. 16 de Junho de 2011 | 17h00
Professor Doutor Manuel Sobrinho Simões
Genes e Ambiente na Saúde e na Doença

4. 22 de Junho de 2011 | 17h00
Professor Doutor Walter Osswald
Novos Desafios à Bioética

Associação de Pais
Podem a seguir fazer o download da ficha de inscrição.

terça-feira, 17 de maio de 2011

“Viver e conviver com a deficiência”


No passado dia 6 de Maio de 2011, sexta-feira, teve lugar, na Escola Secundária Francisco de Holanda, a palestra intitulada «Viver e Conviver com a Deficiência». A sessão aberta pela Dr.ª Rosalina Pinheiro, subdirectora e mediada pela Dra. Olga Santos, psicóloga da ESFH, teve como objectivo a consciencialização dos jovens quanto aos obstáculos que os portadores de deficiência encontram tanto a nível social, como profissional.
Após a recepção das diversas turmas no auditório da escola, a plateia foi brindada pela interpretação, por parte do Ricardo Barreto da turma LH2 e da Joana Ribeiro da Escola Secundária das Taipas, de alguns dos temas mais badalados dos filmes de animação, sublimando no espírito daqueles que escutavam, os valores engrandecidos pela Disney.
No primeiro painel, a Dr.ª Rosa Manuela Bastos abordou o tema «Uma Perspectiva de Inclusão Social em Situação Escolar», tendo, para tal, escolhido partilhar a sua vasta experiência enquanto professora de ensino especial e colaboradora da DREN. Entre os exemplos de casos que deu a conhecer, salientou, sobretudo, a determinação, o empenho, a coragem e a força de vontade preponderantes em qualquer jovem, portador ou não de deficiência, como elementos essenciais para o sucesso e a realização pessoal.
Com a referência às mesmas qualidades principiou a Dra. Cristina Dias, psicóloga do IEFP, que nomeou alguns dos projectos disponibilizados a todos os que pretendem entrar no mercado de trabalho - mesmo quando incapacitados a algum nível ou não requeridos pela falta de experiência - transmitindo aos presentes alguns dos direitos assistidos ao trabalhador com deficiência. Além disso, realçou a postura e a atitude do empregado como algumas das mais relevantes características na procura de emprego, mostrando que apenas através de uma luta constante se atingem os objectivos delineados.
No último painel, foi abordada a questão da «Acessibilidade para Todos» desenvolvida pelas alunas Ângela Oliveira e Beatriz Salgado do 12º CT1, que expuseram alguns dos obstáculos com que as pessoas com incapacidade se deparam, no seu quotidiano, na cidade de Guimarães, nomeadamente, no acesso a locais e serviços públicos.
Antes do assunto ter sido aberto a debate, foram visualizados alguns testemunhos de alunos com deficiência, que frequentam a Escola Secundária Francisco de Holanda, em que partilharam com a comunidade educativa experiências e dificuldades. A palestra, à qual se seguiu um pequeno lanche e convívio na biblioteca escolar, foi encerrada com o tema «Estou a Aprender a Ser Feliz» dos Pólo Norte, interpretado pelo aluno Vítor Araújo, da turma 10 LH2.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Astronomia

Para quem gostar de Astronomia, aqui fica o endereço de um blogue de Astronomia: astroPT.

Na sua apresentação escreveram:

"Bem-vindo ao astroPT.
O astroPT é um projecto de astronomia em Portugal.
Este projecto nasceu da necessidade de criar no mundo virtual um local onde se pudessem encontrar diversas sensibilidades de diferentes domínios astronómicos. O astroPT é o local onde profissionais, amadores, amantes, e curiosos de astronomia se reúnem, trocam opiniões, discutem ideias, e informam sobre temas relevantes no sector astronómico."

Podem continuar a ler aqui a apresentação do astroPT.

Vale a pena fazer uma visita!


Foi neste blogue que encontramos a ligação seguinte: http://www.solarsystemscope.com/
Trata-se de um modelo do Sistema Solar, em que é possível “brincar” com várias funcionalidades de forma interativa, permitindo assim aprender de diferentes formas (in astroPt).

Deliciem-se!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Art Project

O projecto Art Project (powered by Google) já está disponível há algum tempo na Net. Com auxílio deste projecto podem visitar-se virtualmente alguns dos museus mais conhecidos a nível mundial.
Para quem ainda não tenha "tropeçado" neste projecto, aqui fica o seu endereço e uma explicação de como funciona.


Visitem-no!

Palestra

sábado, 23 de abril de 2011

Hoje é dia mundial do livro

O Livro

Dos diversos instrumentos do homem, o mais assombroso é, indubitavelmente, o livro. Os outros são extensões do seu corpo. O microscópio e o telescópio são extensões da vista; o telefone é o prolongamento da voz; seguem-se o arado e a espada, extensões do seu braço. Mas o livro é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação.
Em «César e Cleópatra» de Shaw, quando se fala da biblioteca de Alexandria, diz-se que ela é a memória da humanidade. O livro é isso e também algo mais: a imaginação. Pois o que é o nosso passado senão uma série de sonhos? Que diferença pode haver entre recordar sonhos e recordar o passado? Tal é a função que o livro realiza.

(...) Se lemos um livro antigo, é como se lêssemos todo o tempo que transcorreu até nós desde o dia em que ele foi escrito. Por isso convém manter o culto do livro. O livro pode estar cheio de coisas erradas, podemos não estar de acordo com as opiniões do autor, mas mesmo assim conserva alguma coisa de sagrado, algo de divino, não para ser objecto de respeito supersticioso, mas para que o abordemos com o desejo de encontrar felicidade, de encontrar sabedoria.

Jorge Luís Borges, in 'Ensaio: O Livro'
Encontrado em Citador

Podem encontrar informações sobre o dia mundial do livro em educare.pt

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Hoje é dia da Terra

Poema da Eterna Presença

Estou, nesta noite cálida, deliciadamente estendido sobre a relva,
de olhos postos no céu, e reparo, com alegria,
que as dimensões do infinito não me perturbam.
(O infinito!
Essa incomensurável distância de meio metro
que vai desde o meu cérebro aos dedos com que escrevo!)

O que me perturba é que o todo possa caber na parte,
que o tridimensional caiba no dimensional, e não o esgote.

O que me perturba é que tudo caiba dentro de mim,
de mim, pobre de mim, que sou parte do todo.
E em mim continuaria a caber se me cortassem braços e pernas
porque eu não sou braço nem sou perna.

Se eu tivesse a memória das pedras
que logo entram em queda assim que se largam no espaço
sem que nunca nenhuma se tivesse esquecido de cair;
se eu tivesse a memória da luz
que mal começa, na sua origem, logo se propaga,
sem que nenhuma se esquecesse de propagar;
os meus olhos reviveriam os dinossáurios que caminharam sobre a Terra,
os meus ouvidos lembrar-se-iam dos rugidos dos oceanos que engoliram
continentes,
a minha pele lembrar-se-ia da temperatura das geleiras que galgaram sobre a
Terra.

Mas não esqueci tudo.
Guardei a memória da treva, do medo espavorido
do homem da caverna
que me fazia gritar quando era menino e me apagavam a luz;
guardei a memória da fome;
da fome de todos os bichos de todas as eras,
que me fez estender os lábios sôfregos para mamar quando cheguei ao mundo;
guardei a memória do amor,
dessa segunda fome de todos os bichos de todas as eras,
que me fez desejar a mulher do próximo e do distante;
guardei a memória do infinito,
daquele tempo sem tempo, origem de todos os tempos,
em que assisti, disperso, fragmentado, pulverizado,
à formação do Universo.

Tudo se passou defronte de partes de mim.
E aqui estou eu feito carne para o demonstrar,
porque os átomos da minha carne não foram fabricados de propósito para mim.
Já cá estavam.
Estão.
E estarão.

António Gedeão, in 'Poemas Póstumos'.

Se desejarem ficar a conhecer um pouco melhor a vida e obra de Rómulo de Carvalho - António Gedeão podem, por exemplo, visitar o sítio http://www.romulodecarvalho.net/






Human Planet é uma nova série de documentários da BBC. Vale a pena ver!