terça-feira, 17 de maio de 2011

“Viver e conviver com a deficiência”


No passado dia 6 de Maio de 2011, sexta-feira, teve lugar, na Escola Secundária Francisco de Holanda, a palestra intitulada «Viver e Conviver com a Deficiência». A sessão aberta pela Dr.ª Rosalina Pinheiro, subdirectora e mediada pela Dra. Olga Santos, psicóloga da ESFH, teve como objectivo a consciencialização dos jovens quanto aos obstáculos que os portadores de deficiência encontram tanto a nível social, como profissional.
Após a recepção das diversas turmas no auditório da escola, a plateia foi brindada pela interpretação, por parte do Ricardo Barreto da turma LH2 e da Joana Ribeiro da Escola Secundária das Taipas, de alguns dos temas mais badalados dos filmes de animação, sublimando no espírito daqueles que escutavam, os valores engrandecidos pela Disney.
No primeiro painel, a Dr.ª Rosa Manuela Bastos abordou o tema «Uma Perspectiva de Inclusão Social em Situação Escolar», tendo, para tal, escolhido partilhar a sua vasta experiência enquanto professora de ensino especial e colaboradora da DREN. Entre os exemplos de casos que deu a conhecer, salientou, sobretudo, a determinação, o empenho, a coragem e a força de vontade preponderantes em qualquer jovem, portador ou não de deficiência, como elementos essenciais para o sucesso e a realização pessoal.
Com a referência às mesmas qualidades principiou a Dra. Cristina Dias, psicóloga do IEFP, que nomeou alguns dos projectos disponibilizados a todos os que pretendem entrar no mercado de trabalho - mesmo quando incapacitados a algum nível ou não requeridos pela falta de experiência - transmitindo aos presentes alguns dos direitos assistidos ao trabalhador com deficiência. Além disso, realçou a postura e a atitude do empregado como algumas das mais relevantes características na procura de emprego, mostrando que apenas através de uma luta constante se atingem os objectivos delineados.
No último painel, foi abordada a questão da «Acessibilidade para Todos» desenvolvida pelas alunas Ângela Oliveira e Beatriz Salgado do 12º CT1, que expuseram alguns dos obstáculos com que as pessoas com incapacidade se deparam, no seu quotidiano, na cidade de Guimarães, nomeadamente, no acesso a locais e serviços públicos.
Antes do assunto ter sido aberto a debate, foram visualizados alguns testemunhos de alunos com deficiência, que frequentam a Escola Secundária Francisco de Holanda, em que partilharam com a comunidade educativa experiências e dificuldades. A palestra, à qual se seguiu um pequeno lanche e convívio na biblioteca escolar, foi encerrada com o tema «Estou a Aprender a Ser Feliz» dos Pólo Norte, interpretado pelo aluno Vítor Araújo, da turma 10 LH2.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Astronomia

Para quem gostar de Astronomia, aqui fica o endereço de um blogue de Astronomia: astroPT.

Na sua apresentação escreveram:

"Bem-vindo ao astroPT.
O astroPT é um projecto de astronomia em Portugal.
Este projecto nasceu da necessidade de criar no mundo virtual um local onde se pudessem encontrar diversas sensibilidades de diferentes domínios astronómicos. O astroPT é o local onde profissionais, amadores, amantes, e curiosos de astronomia se reúnem, trocam opiniões, discutem ideias, e informam sobre temas relevantes no sector astronómico."

Podem continuar a ler aqui a apresentação do astroPT.

Vale a pena fazer uma visita!


Foi neste blogue que encontramos a ligação seguinte: http://www.solarsystemscope.com/
Trata-se de um modelo do Sistema Solar, em que é possível “brincar” com várias funcionalidades de forma interativa, permitindo assim aprender de diferentes formas (in astroPt).

Deliciem-se!

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Art Project

O projecto Art Project (powered by Google) já está disponível há algum tempo na Net. Com auxílio deste projecto podem visitar-se virtualmente alguns dos museus mais conhecidos a nível mundial.
Para quem ainda não tenha "tropeçado" neste projecto, aqui fica o seu endereço e uma explicação de como funciona.


Visitem-no!

Palestra

sábado, 23 de abril de 2011

Hoje é dia mundial do livro

O Livro

Dos diversos instrumentos do homem, o mais assombroso é, indubitavelmente, o livro. Os outros são extensões do seu corpo. O microscópio e o telescópio são extensões da vista; o telefone é o prolongamento da voz; seguem-se o arado e a espada, extensões do seu braço. Mas o livro é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação.
Em «César e Cleópatra» de Shaw, quando se fala da biblioteca de Alexandria, diz-se que ela é a memória da humanidade. O livro é isso e também algo mais: a imaginação. Pois o que é o nosso passado senão uma série de sonhos? Que diferença pode haver entre recordar sonhos e recordar o passado? Tal é a função que o livro realiza.

(...) Se lemos um livro antigo, é como se lêssemos todo o tempo que transcorreu até nós desde o dia em que ele foi escrito. Por isso convém manter o culto do livro. O livro pode estar cheio de coisas erradas, podemos não estar de acordo com as opiniões do autor, mas mesmo assim conserva alguma coisa de sagrado, algo de divino, não para ser objecto de respeito supersticioso, mas para que o abordemos com o desejo de encontrar felicidade, de encontrar sabedoria.

Jorge Luís Borges, in 'Ensaio: O Livro'
Encontrado em Citador

Podem encontrar informações sobre o dia mundial do livro em educare.pt

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Hoje é dia da Terra

Poema da Eterna Presença

Estou, nesta noite cálida, deliciadamente estendido sobre a relva,
de olhos postos no céu, e reparo, com alegria,
que as dimensões do infinito não me perturbam.
(O infinito!
Essa incomensurável distância de meio metro
que vai desde o meu cérebro aos dedos com que escrevo!)

O que me perturba é que o todo possa caber na parte,
que o tridimensional caiba no dimensional, e não o esgote.

O que me perturba é que tudo caiba dentro de mim,
de mim, pobre de mim, que sou parte do todo.
E em mim continuaria a caber se me cortassem braços e pernas
porque eu não sou braço nem sou perna.

Se eu tivesse a memória das pedras
que logo entram em queda assim que se largam no espaço
sem que nunca nenhuma se tivesse esquecido de cair;
se eu tivesse a memória da luz
que mal começa, na sua origem, logo se propaga,
sem que nenhuma se esquecesse de propagar;
os meus olhos reviveriam os dinossáurios que caminharam sobre a Terra,
os meus ouvidos lembrar-se-iam dos rugidos dos oceanos que engoliram
continentes,
a minha pele lembrar-se-ia da temperatura das geleiras que galgaram sobre a
Terra.

Mas não esqueci tudo.
Guardei a memória da treva, do medo espavorido
do homem da caverna
que me fazia gritar quando era menino e me apagavam a luz;
guardei a memória da fome;
da fome de todos os bichos de todas as eras,
que me fez estender os lábios sôfregos para mamar quando cheguei ao mundo;
guardei a memória do amor,
dessa segunda fome de todos os bichos de todas as eras,
que me fez desejar a mulher do próximo e do distante;
guardei a memória do infinito,
daquele tempo sem tempo, origem de todos os tempos,
em que assisti, disperso, fragmentado, pulverizado,
à formação do Universo.

Tudo se passou defronte de partes de mim.
E aqui estou eu feito carne para o demonstrar,
porque os átomos da minha carne não foram fabricados de propósito para mim.
Já cá estavam.
Estão.
E estarão.

António Gedeão, in 'Poemas Póstumos'.

Se desejarem ficar a conhecer um pouco melhor a vida e obra de Rómulo de Carvalho - António Gedeão podem, por exemplo, visitar o sítio http://www.romulodecarvalho.net/






Human Planet é uma nova série de documentários da BBC. Vale a pena ver!

 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Boas Férias!

SEGREDO

Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...


Miguel Torga (1907-1995)
S. Martinho de Anta (Sabrosa)

segunda-feira, 21 de março de 2011

Primavera

Para além de ser o Dia Mundial da Poesia, hoje começa também a Primavera, deixemos, então, que Miguel Torga a anuncie em Poesia.

ANUNCIAÇÃO

Surdo murmúrio do rio,
Fresco alegórico  
Primavera
Pompeia
a deslizar, pausado, na planura.
Mensageiro moroso
dum recado comprido,
di-lo sem pressa ao alarmado ouvido
dos salgueirais:
a neve derreteu
nos píncaros da serra;
o gado berra
dentro dos currais,
a lembrar aos zagais
o fim do cativeiro;
anda no ar um perfumado cheiro
a terra revolvida;
o vento emudeceu;
o sol desceu;
a primavera vai chegar, florida.

Miguel Torga


... e António Vivaldi em música:


De: wintermood

Antonio Vivaldi - Quatro Estações
Chamber Orchestra of "Transylvania" State Philharmonic Cluj-Napoca ROMÉNIA
Maestro: Mircea Cristescu
Violino: Stefan Ruha

Hoje é Dia Mundial da Poesia




um excerto de TABACARIA
Álvaro de Campos






(...)

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chava, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(...)


Podem ler o poema completo aqui.