sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A propósito da comemoração do aniversário de Almeida Garrett

João Baptista da Silva Leitão [mais tarde de Almeida Garrett], nasceu no Porto, em 4 de Fevereiro de 1799. Aí passou a primeira infância, num caloroso ambiente burguês que lhe deixaria gratas recordações.
Almeida Garrett passa indubitavelmente por todos os alunos do Ensino Secundário. Em alguns passa simplesmente, mas para outros marca pela sua originalidade.
Vanguardista no seu tempo, escreveu poemas que primaram pela ousadia mas que hoje, vistos com outros olhos, são muito apreciados pelo público em geral.

“Não te amo, quero-te: o amor vem da alma
E eu na alma – tenho a calma
A calma – do jazigo.
Ah! não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida – nem sentida
A trago eu já comigo.
Ah, não te amo, não!

Ah! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

(...)

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.”

Almeida Garrett


Alunos do 12ºCT2
Raquel Neves, Francisca Freitas, Inês Andrade, Luísa Queirós, Marlene Pereira, Joana Castro, Francisco Mendes

Escritor do mês


José Luís Peixoto

É licenciado em Línguas e Literaturas Modernas (Inglês e Alemão) pela Universidade Nova de Lisboa. Antes de dedicar-se profissionalmente à escrita, trabalhou como professor em Praia, Cabo Verde e em várias cidades de Portugal.

Tem publicado poesia e prosa. Recebeu o Prémio Jovens Criadores (área de literatura) nos anos 97, 98 e 2000. Recebeu também em 2008 o Prémio de Poesia Daniel Faria, instituído pela Câmara Municipal de Penafiel.

Em 2001, o seu romance «Nenhum Olhar» recebeu o Prémio Literário José Saramago. Está representado em diversas antologias de prosa e de poesia nacionais e estrangeiras.

Em 2001, publica «A Criança em Ruínas», o seu primeiro livro de poesia. Com edições sucessivas, depressa atinge os 15 mil exemplares vendidos - número muito invulgar para um primeiro livro de poesia.

É colaborador de diversas publicações nacionais e estrangeiras (Time Out, Jornal de Letras, Visão).

Em 2005, escreveu as peças de teatro «Anathema» (estreada no Theatre de la Bastille, Paris) e «À Manhã» (estreado no Teatro São Luiz, Lisboa).

Em 2006, publicou o romance «Cemitério de Pianos». Em 2007, em Zaragoza, este romance recebeu o Prémio Cálamo - Otra Mirada, atribuído ao melhor romance estrangeiro publicado em Espanha nesse ano.

Em 2007 estreou a peça "Quando o Inverno Chegar", no Teatro São Luiz, em Lisboa.

«Nenhum Olhar» (publicado no Reino Unido sob o título «Blank Gaze») fez parte da lista do Financial Times dos melhores livros publicados em Inglaterra em 2007.

Os seus romances estão publicados em França, Itália, Bulgária, Turquia, Finlândia, Holanda, Espanha, República Checa, Roménia, Croácia, Bielorrússia, Polónia, Brasil, Grécia, Reino Unido, Estados Unidos, Hungria, Israel, etc. Estando traduzidos num total de 18 idiomas e sendo distribuídos em mais de 40 países. Os seus romances são publicados em algumas das editoras mais prestigiadas do mundo, como é o caso da Bloomsbury (Reino Unido), Doubleday/Random House (Estados Unidos), Grasset e Folio/Gallimard (França), Einaudi (Itália), Record (Brasil), entre outras.

Em 2008, após a edição de «Nenhum Olhar» nos Estados Unidos (sob o título «The Implacable Order of Things», este romance foi integrado na selecção semestral "Discover Great New Writers" das livrarias Barnes & Noble, sendo o único romance em língua estrangeira a fazer parte dessa lista, o que lhe facultou uma exposição excepcional na maior cadeia de livrarias dos Estados Unidos e do mundo.

Interessante o comentário dos críticos franceses em relação ao romance Cemitério de pianos: 'O romance de José Luís Peixoto é uma proeza literária servida de uma escrita com nervos à flor da pele, de lágrimas e de sensibilidade.' Folio/Gallimard editora

"Cemitério de Pianos" foi um dos 10 romances finalistas do Prémio Portugal Telecom de Literatura (2009).

O Município de Ponte de Sôr criou um prémio literário com o nome de José Luís Peixoto para jovens autores.

Em 2009, Os livros «Morreste-me» e «Gaveta de Papéis» são publicados em braile.

Os seus livros têm tido referências críticas em publicações internacionais de referência como: The Independent, The Guardian, Esquire, Monocle, Metro, Time Out New York, San Francisco Chronicle, El País, El Mundo, ABC, Le Figaro, Le Monde, La Reppublica, Corriere de la Sera, L'Unitá, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, etc.


 


O livro mais recentemente publicado de J. L. Peixoto é o "Livro", lançado no mês de Setembro de 2010.










na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.

JOSÉ LUÍS PEIXOTO, in "A Criança em Ruínas"/ Edições Quasi

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

"Leituras do Desejo em Camilo Castelo Branco"

No próximo dia 2 de Fevereiro, conforme cartaz abaixo, realiza-se uma conferência subordinada ao tema "Leituras do Desejo em Camilo Castelo Branco".
Estão convidados a participarem nesta conferência, inscrevendo-se. Para este efeito podem fazer o download da ficha de inscrição para a qual têm uma ligação em baixo.



Download da Ficha de inscrição:
http://www.box.net/shared/lxps48cuav

domingo, 2 de janeiro de 2011

ANO NOVO

De Luís Vaz de Camões

Jamais haverá ano novo,
se continuar a copiar os erros dos anos velhos.

De Carlos Drummond de Andrade

Receita de Ano Novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consuma
dasnem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

De Miguel Torga

Recomeça…
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…

De Fernando Pessoa

Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errónea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

Também de Fernando Pessoa

Há um tempo em que é preciso
abandonar as roupas usadas,
que já tem a forma do nosso corpo,
e esquecer os nossos caminhos,
que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia: e,
se não ousarmos fazê-la,
teremos ficado, para sempre,
à margem de nós mesmos.

Ainda de Fernando Pessoa

Ano Novo
De tudo, ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que precisamos continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
Portanto devemos:
Fazer da interrupção um caminho novo...
Da queda um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro... 

“O Morgado de Fafe em Lisboa”

Os alunos do 10º ano a Escola Secundária Francisco de Holanda assistem à palestra sobre “O Morgado de Fafe em Lisboa” de Camilo Castelo Branco.

No passado dia 23 de Novembro, os alunos do 10º ano dos Cursos Profissionais deslocaram-se à Biblioteca Municipal Raúl Brandão, para assistir à palestra dinamizada pela equipa da biblioteca da escola. A organização esteve a cargo do 12º TSE, no âmbito das actividades de ensino-aprendizagem da disciplina de Técnicas de Secretariado.

Esta palestra visava sensibilizar os jovens para a importância da leitura, neste caso, para a obra de Camilo Castelo Branco, “O Morgado de Fafe em Lisboa”, prefaciada pelo Dr. Cândido Martins.

Os alunos mantiveram-se interessados e atentos ao discurso do orador, tendo colocado algumas questões pertinentes.

A palestra foi encerrada pelo editor da Opera Omnia, José Manuel Costa, que deu particular ênfase à atitude que os jovens devem ter face à leitura, devendo estes saber ler as obras à luz da época em que foram escritas, libertando-se dos estereótipos da actualidade e desenvolvendo o seu espírito crítico.

Manuela Paredes

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Campanha Pobreza zero

19 de Outubro de 2010

No início do Milénio os governos de todo mundo reuniram-se e assinaram um compromisso único de acabar com a pobreza no mundo. Numa atitude extraordinariamente altruísta estabeleceram uma promessa notável de “libertar os nossos semelhantes, homens, mulheres e crianças, das condições abjectas e desumanas da pobreza extrema.”
Sob a forma de uma declaração de princípios e estabelecendo objectivos com prazos de concretização fixos - os objectivos da declaração do milénio (ODM), as nações firmaram um pacto que permite medir o progresso no caminho que leva à criação de uma nova ordem mundial, menos insegura, menos pobre e mais justa.
Mas se o compromisso expresso dos governantes é condição fundamental de concretização das metas adiantadas, uma atitude vigilante por parte da sociedade civil é condição do rigoroso cumprimento das metas definidas.
É, pois, na dianteira dessa necessidade de agitar a consciência cívica que a ESFH promoveu, em parceria com a Escola Profissional Profitecla, no passado dia 15 de Outubro, uma iniciativa que contou com a participação de 1070 pessoas - professores e alunos reuniram-se no final da manhã para, em conjunto, proclamarem as principais metas da Declaração do Milénio.
A sessão iniciou com uma exibição de grupo de alunos do ensino articulado que tocou NESSUN DORMA de Puccini. Durante a leitura do Manifesto - que foi dividida por oito alunos - quatro da Escola Secundária Francisco de Holanda e quatro da Profitecla - o mesmo grupo tocou o CANONE de Pachelbel.
A leitura foi acompanhada pela exibição, nas bancadas, em grupos organizados de alunos, de cartolinas A3 com os 8 símbolos, representativos dos Objectivos do Milénio (cuja concretização deverá ser cumprida até 2015):

1. Erradicar a pobreza extrema e a fome

2. Alcançar o ensino primário universal

3. Criar uma parceria global para o desenvolvimento:

4. Promover a igualdade de género e a autonomização da mulher

5. Reduzir a mortalidade de crianças

6. Melhorar a saúde materna

7. Combater o VIH/SIDA, a malária e outras doenças

8. Garantir a sustentabilidade ambiental

Finalmente, e de acordo com as orientações da organização “Pobreza Zero”, foi lido um texto acompanhado pelo simbolismo da contagem decrescente até à erradicação da pobreza:
“Fome, SIDA, analfabetismo, discriminação de mulheres e meninas, destruição da natureza, acesso desigual à tecnologia, deslocação maciça de pessoas devido aos conflitos, migrações provocadas pela falta de equidade na distribuição da riqueza a nível internacional… São as diferentes facetas do mesmo problema: a situação de injustiça que afecta a maioria da população mundial.”

POR ISSO, LEVANTA-TE E ACTUA POR UM MUNDO MELHOR

Manuela Paredes

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Escritor do mês

Jorge Luis Borges nasceu em 1899 na cidade de Buenos Aires, capital da Argentina e faleceu em Genebra, no ano de 1986. É considerado o maior poeta argentino de todos os tempos e é, sem dúvida, um dos mais importantes escritores da literatura mundial.

"Seu texto é sempre o de uma pessoa que, reconhecendo honestamente a fragilidade e as limitações do ser humano, nos coloca diante de reflexões nas quais, com frequência, está presente o nosso próprio destino." (Miguel A. Paladino).



Algumas obras do autor:

- Fervor de Buenos Aires
- Lua de frente
- Inquisições (renegado pelo autor)
- O Aleph
- Ficções
- História Universal da infâmia
- O informe de Brodie
- O livro de areia
- O livro dos seres imaginários
- História da eternidade
- Nova antologia pessoal
- Prólogos
- Discussão
- Buda
- Sete noites
- Os conjurados
- Um ensaio autobiográfico (com Norman Thomas di Giovanni)
- Obras completas (4 volumes)
- Elogio da sombra
Em




Um poema de  Borges

Amamos o que não conhecemos, o já perdido.
O bairro que foi arredores.
Os antigos que não nos decepcionarão mais
porque são mito e esplendor.
Os seis volumes de Schopenhauer que jamais terminamos de ler.
A saudade, não a leitura, da segunda parte do Quixote.
O Oriente que, na verdade, não existe para o afegão, o persa ou o tártaro.
Os mais velhos, com quem não conseguiríamos
conversar durante um quarto de hora.
As mutantes formas da memória, que está feita do esquecido.
Os idiomas que mal deciframos.
Um ou outro verso latino ou saxão que não é mais do que um hábito.
Os amigos que não podem faltar porque já morreram.
O ilimitado nome de Shakespeare.
A mulher que está a nosso lado e que é tão diversa.
O xadrez e a álgebra, que não sei.


Podem aqui ler o texto completo da "Biblioteca de Babel" de Jorge Luis Borges: